Uso do crédito


Antes de continuarmos, é importante que você saiba que o crédito pode ser vantajoso ou problemático, tanto para o tomador como para o fornecedor do crédito, quando não são tomados os devidos cuidados.

A instituição que concede crédito recebe juros como remuneração pelo capital emprestado, porém deve atentar para a capacidade de pagamento do tomador, do contrário corre um risco muito alto de não receber o montante emprestado de volta e assim ter graves problemas financeiros.

Confira abaixo as vantagens e as desvantagens para o tomador do crédito.

Vantagens

  • Antecipar consumo  Muitas vezes, precisamos comprar um produto ou contratar um serviço, porém não dispomos de recursos suficientes. O crédito nos possibilita resolver essa situação.
  • Atender a emergências  Imprevistos acontecem com frequência: acidente com o veículo, serviço emergencial na residência, alguém da família com problema de saúde quando não estamos financeiramente preparados. O uso do crédito pode ser a saída nesse momento.
  • Aproveitar oportunidades  Boas oportunidades para fechar um negócio ou fazer uma compra às vezes acontecem e nem sempre, naquele momento, temos condições financeiras para aproveitá-las. Faça as contas, levando em conta o custo do crédito. Se ainda assim for vantajoso, e você não estiver endividado, por que não aproveitar a oportunidade?

    Ao utilizar o crédito, sempre verifique o seu custo. Compare os preços e custos do crédito. Pechinche! Faça o que for mais vantajoso para você.

    Custo Efetivo Total

    O Custo Efetivo Total (CET) é uma informação percentual que diz quanto efetivamente custa um empréstimo, ou financiamento, incluindo não só os juros, mas também tarifas, impostos e outros encargos cobrados do cliente. A vantagem do CET é a possibilidade de comparar o que duas ou mais instituições financeiras estão oferecendo e saber qual cobra menos pelo serviço. Assim, dependendo dos encargos cobrados por um banco em um empréstimo, seu CET pode acabar maior que o de outro banco, mesmo tendo uma taxa de juros menor.

    Por exemplo, suponha um financiamento nas seguintes condições:

    • valor financiado: R$1.000,00;

    • taxa de juros: 12% ao ano ou 0,95% ao mês;

    • prazo da operação: 5 meses;

    • prestação mensal: R$205,73.

Considere ainda que seja descontado do crédito o valor de R$60,00, referente à tarifa de confecção de cadastro para início de relacionamento (R$50,00) e cobrança de IOF (R$10,00). O valor líquido recebido pelo cliente é de R$940,00.

Nessas condições, a taxa efetivamente paga pelo consumidor, ou CET, é de 43,93% ao ano ou 3,08% ao mês, percentual que largamente supera a taxa de juros divulgada na operação, que foi de 12% ao ano ou 0,95% ao mês.

Muitas pessoas, ao adquirir um empréstimo, simplesmente avaliam se o valor da prestação cabe no orçamento, o que nem sempre é o mais adequado. É fundamental avaliar a real necessidade do crédito, comparar o CET das propostas de crédito de duas ou mais instituições financeiras e estar ciente das desvantagens descritas a seguir.

Desvantagens

  • Custo da antecipação do consumo com o uso do crédito implica pagamento de juros  A primeira desvantagem em relação ao uso do crédito é o pagamento de juros. Ao anteciparmos a compra de um produto ou a contratação de um serviço sem a devida disponibilidade financeira, usaremos um dinheiro que não é nosso, portanto pagaremos juros por essa operação. Esse é o custo da antecipação.
  • Risco de endividamento excessivo  O uso inadequado do crédito pode levar ao endividamento excessivo e comprometer toda a sua vida financeira, podendo acarretar descontrole emocional, problemas de saúde e, até mesmo, desestruturação familiar. Assim, é importante refletir antes de tomar crédito e não o utilizar de forma indiscriminada.
  • Limite de consumo futuro  Outra desvantagem de tomar crédito consiste em limitar o consumo futuro. Essa desvantagem é quase automática, uma vez que o crédito tomado hoje tem de ser pago no futuro, reduzindo, portanto, as disponibilidades financeiras futuras para o consumo. Essa desvantagem traduz aquele ponto, já discutido, sobre as trocas intertemporais.

Para entender melhor sobre as vantagens, as desvantagens e o custo do crédito, acompanhe o exemplo a seguir, sobre a compra de um veículo, com duas opções distintas de pagamento.

Opção 1

Carro adquirido hoje, parcialmente financiado:

• preço: R$40.000,00;

  • entrada (já tinha esse dinheiro poupado): R$16.000,00(40%);
  • valor financiado: R$24 mil (60%);
  • prazo: 60 meses (5 anos);
  • taxa do financiamento: 1,8% ao mês;
  • prestação fixa: R$657,41.

Opção 2

O consumidor faz uma poupança para comprar o carro à vista após determinado período (somente irá à loja comprar o carro quanto tiver dinheiro suficiente para comprar à vista). Considere a existência de uma poupança inicial dos mesmos R$16.000,00 e a realização de uma poupança mensal no mesmo valor da parcela do exemplo anterior, R$657,41, além da rentabilidade de 0,5% ao mês. Neste cenário, após o 31º mês, o valor acumulado atingirá o preço do carro. Assim, o consumidor poderá efetuar a compra do carro à vista. Nessa opção, o consumidor continuará poupando até o 60º mês, quando ocorreria a quitação do veículo da opção 1.

Ao final, teremos a seguinte situação:

60.000,00

50.000,00

40.000,00

30.000,00

20.000,00

10.000,00

 

 

 

 

 

 

 

 

Opção 1 —————Opção 2

Desembolso Total Patrimônio Final

Patrimônio final – Opção 1 – Financiamento

Carro com 5 anos de uso (R$24.600,00) Poupança: R$0,00

Gasto com financiamento: R$55.444,43 Patrimônio final: R$24.600,00

Patrimônio final – Opção 2 – Compra à vista

Carro com 2,5 anos de uso (R$29.500,00) Poupança: R$21.224,24

Desembolso total: R$55.444,43 Patrimônio final: R$50.724,24

No exemplo acima, a diferença entre o patrimônio da opção 1 e da opção 2 totaliza R$26.124,24 e representa o custo da impaciência, ou seja, o custo da antecipação do consumo.

Entre os exemplos apresentados, qual a melhor escolha? Cabe a você decidir conforme sua própria realidade.

O mais importante é desconfiar e fugir do “crédito fácil”.

É comum ouvir na TV ou em outras mídias que “você tem um crédito pré-aprovado” ou que “os limites do seu cheque especial e do cartão de crédito podem ser aumentados e estão à sua disposição”.

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É importante tomar cuidado com esse tipo de propaganda, pois essas operações de crédito são, normalmente, as que possuem as maiores taxas de juros e podem facilmente nos levar ao superendividamento.

Maior cuidado ainda deve-se tomar para não se contratar crédito com empresas que não sejam oficialmente autorizadas a funcionar pelo BCB.


 
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