Dívidas, como sair


Dívidas são um assunto delicado. Muitos problemas podem surgir se não soubermos lidar bem com elas.

Normalmente consideramos que estamos endividados apenas quando não estamos dando conta de pagar os nossos compromissos. Isso não é verdade.

Na verdade, toda vez que consumimos algo e não pagamos naquele exato momento, estamos assumindo uma dívida.

É essencial reconhecermos que é comum deixarmos, durante o mês, muitas coisas para pagamento futuro. Daí a importância de controlar de perto os gastos, principalmente os a prazo, atentos para que o acúmulo de contas não leve ao descontrole do orçamento.

  1. Origens das dívidas

    Despesas sazonais  As despesas sazonais, aquelas que ocorrem em determinada época do ano, como pagamento de IPTU, IPVA, Imposto de Renda ou material escolar, nem sempre são observadas ao se fazer um planejamento. É comum, no início do ano, as famílias terem dificuldades em função dessas despesas. Existem ainda as datas comemorativas, como Natal, Dia das Mães, Dia das Crianças, aniversários etc.A falta de planejamento e controle pode implicar desembolsos “inesperados”, o que, às vezes, podem levar à necessidade de contratar uma operação de crédito (tomar um empréstimo ou financiamento). Se você deseja minimizar a possibilidade de se endividar, a dica é: planeje-se.

    Marketing sedutor – As técnicas de vendas e a tecnologia colocada à disposição dos profissionais de marketing, ao mesmo tempo em que impulsionam as vendas, também impulsionam compras não planejadas ou realizadas por impulso, podendo provocar desequilíbrios orçamentários e financeiros, ou até mesmo superendividamento. Convém, então, estar atento aos atrativos do marketing sedutor e ao compromisso com o cumprimento do planejamento financeiro pessoal ou familiar

    Orçamento deficitário  É comum encontramos pessoas desejando e usufruindo um padrão de vida acima do padrão de renda que possuem. As facilidades determinadas pelo crédito fácil propiciam um excesso de compras a prazo que, muitas vezes, comprometem a situação financeira das famílias. Cuidar do orçamento familiar de forma a estar sempre superavitário deve ser uma

    constante busca de todos nós. Portanto, é fundamental colocarmos em prática o que aprendemos sobre a elaboração do orçamento.

    Redução de renda sem redução de despesas  Essa é outra questão importante a ser avaliada, podendo ser a porta da entrada para o endividamento excessivo. A perda de emprego ou de parte da renda familiar sem a devida redução nas despesas pode, facilmente, levar uma família ao endividamento excessivo. Portanto, ao deparar-se com uma redução de renda, é fundamental fazer uma cuidadosa revisão do orçamento pessoal e familiar, adequando as despesas à nova realidade.

    Despesas emergenciais  Imprevistos acontecem. Um defeito ou uma batida no veículo, ou problemas de saúde na família são exemplos corriqueiros. Entretanto, nem sempre estamos preparados financeiramente para superar esses obstáculos. Logo, fazer uma poupança para cobrir eventualidades é um importante cuidado para você não cair no endividamento. Outra forma de tratar as despesas emergenciais é por meio da prevenção, fazendo um seguro. Esse assunto será abordado mais à frente.

    Separação de bens, mas não dos gastos (divórcio)  Muitos casais, ao terminarem o relacionamento, separam-se e dividem os bens que possuíam. Alguns gastos que eram únicos ao casal, como contas de água, luz, condomínio etc., agora têm de ser pagos de forma individual. Ou seja, enquanto antes existia uma conta de condomínio, agora existem duas. Por outro lado, a receita também mudou. Agora cada um tem a sua renda. Eventualmente pode haver, inclusive, o pagamento de pensão alimentícia. Obviamente, ambos têm de se ajustar a essa nova realidade financeira para evitar o endividamento.

    Pouco conhecimento financeiro  O fato de as pessoas desconhecerem produtos financeiros é também determinante para que fiquem endividadas. Não conhecer o impacto que o pagamento de juros pode causar no orçamento pessoal e familiar e a não leitura dos contratos firmados são situações que contribuem efetivamente para o processo de endividamento.

  2. Consequências do endividamento excessivo

    O endividamento excessivo pode trazer sérias consequências financeiras e, até mesmo, morais.

    Como consequências financeiras do endividamento excessivo, podemos citar: perda de patrimônio, comprometimento da renda com pagamento de juros e multas punitivas, redução do consumo futuro etc.

    Eventualmente, se a dívida virar inadimplência, o indivíduo pode passar a ter o seu nome inscrito em um ou mais cadastros de restrição ao crédito, como Serasa ou Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC).No caso de quem emitiu cheques sem a suficiente provisão de fundos, o nome vai para o Cadastro de Emitentes de Cheques sem Fundos (CCF).

    Uma pessoa que esteja com elevado grau de endividamento acaba, em geral, comprometendo sua qualidade de vida e de sua família, muitas vezes desestruturando o núcleo familiar.

    Tomar os cuidados para não cair no endividamento pode evitar esses dissabores financeiros e morais. Porém, se o superendividamento já é uma realidade, a opção é buscar alternativas para sair dele.

  3. Como sair das dívidas

    Se já estivermos em uma situação de superendividamento, existem meios de se livrar dessa situação? A boa notícia é que sim.

    No entanto, isso exigirá de você algumas atitudes, que podem parecer um pouco desagradáveis de se fazer, mas que têm o potencial de devolver a tranquilidade financeira e psicológica perdida devido às preocupações com o excesso de compromissos financeiros.

    Vejamos os passos para sair de uma situação de superendividamento.

    Tomar consciência da situação

    Ter a consciência de que se encontra em uma condição de endividamento excessivo e de que é preciso resolver essa situação é um passo fundamental para a saída do endividamento. Nesse momento, não nos conformamos com a situação incômoda das dívidas e sentimos a clara necessidade de buscar uma saída.

    Mapear as dívidas

    Após tomar consciência do endividamento e de ter a certeza de que quer sair dessa situação, é importante conhecer o real tamanho do problema. E conhecer as dívidas é exatamente mapear detalhadamente as informações importantes: os valores das dívidas, os prazos para pagamento, as taxas de juros que está pagando etc. De posse de todas as informações, torna-se mais fácil a busca de alternativas para a saída do endividamento.

    Compartilhar as dificuldades com pessoas que já passaram por situações semelhantes

    Compartilhar as dificuldades com pessoas que já tenham passado por situações semelhantes ou que detenham conhecimentos que possam ajudar nessa tarefa é um passo importante para a saída do endividamento.

    Não fazer novas dívidas

    Outro ponto fundamental para garantir a saída de tão incômoda situação é não fazer novas dívidas. Esse é o momento de reorganização da vida financeira e fazer dívidas nessa hora é realimentar um ciclo negativo, dificultando a saída do endividamento. Não fazer novas dívidas é, então, uma prioridade, um desafio a ser vencido por quem se encontra endividado e realmente quer sair do endividamento.

    Renegociar as dívidas

    Negociar condições mais vantajosas para o pagamento das dívidas é outro aspecto fundamental para a saída do endividamento. Essa é a hora de procurar trocar dívidas que pagam juros elevados por dívidas com juros menores. Negociar os prazos também pode ajudar na reorganização financeira do endividado.

    Reduzir gastos

    Outra ação imprescindível para a saída do endividamento é o corte de gastos. Sobre o assunto, vale a pena refletir sobre os três tipos de gastos.

    1. Necessários: são os gastos considerados imprescindíveis. Estão ligados às necessidades. Exemplos: alimentação, moradia e vestuário.
    2. Supérfluos: são os gastos que geram bem-estar e estão ligados mais aos desejos que às necessidades. Exemplos: restaurantes, TV a cabo e roupas de marca.
    3. Desperdícios: são os gastos que não geram bem-estar nem estão ligados às necessidades ou aos desejos. Exemplos: multas, pagar por algo e não usar, esquecer luz acesa ou a torneira aberta.

Uma vez definidas, com clareza, as despesas que se encaixam em cada uma dessas áreas, chega o momento de decidir o que fazer.

Desperdício = Eliminar por completo

Supérfluo = Reduzir ou eliminar

Necessário = Otimizar (procurar alternativas)

 

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Gerar renda extra

Muitas vezes nosso orçamento já está no limite suportável e, ainda assim, encontra-se deficitário. Adicionalmente à minimização dos nossos gastos, podemos avaliar uma alternativa de ampliar a nossa renda. Procure identificar áreas e serviços em que tenha habilidades, para gerar renda extra e complementar o seu orçamento.Além disso, muitas outras opções podem proporcionar uma boa renda extra: colocar em prática dons artísticos ou dons culinários, fazer horas extras etc.Tudo isso pode ser uma boa alternativa para a saída do endividamento e, quem sabe, até se tornar uma nova opção de vida.

Buscar ajuda

Lembramos ainda que a busca de ajuda, quer por meio de leitura, quer por consultoria, quer por órgãos de defesa do consumidor, é uma opção válida e muito eficaz para a saída do endividamento. É claro que, preferencialmente, essa ajuda não deve ter custo algum.

Ponha em prática

  • Dê atenção aos juros. Eles não são o mocinho e também não são o vilão. São um fenômeno natural, que existe nas relações de troca intertemporal. Lembre-se de que eles podem estar contra ou a favor de suas finanças, a depender de como você lida com eles.

  • O crédito possui vantagens e desvantagens. Seu uso pode trazer grandes benefícios, bem como grandes males. Utilize-o com sabedoria.

  • Não perca o controle de suas contas. Cuidado com o endividamento. Você já conhece de onde ele surge. Procure “não dar passos maiores que as pernas” e não se esqueça de ter uma reserva financeira para as despesas sazonais e para imprevistos, que, querendo ou não, acontecem.

  • Se já estiver excessivamente endividado, não fique parado. Quanto mais tempo parado, pior a dívida irá ficar, devido a diversos fatores como juros e multas. Procurando onde seus gastos podem diminuir? Então se lembre de eliminar por completo os desperdícios, de reduzir os supérfluos e de otimizar a despesa com os produtos necessários. Tenha calma! Para tudo tem uma solução.


 
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